Devocional

Uma disciplina que gera paz

“Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa” (Mateus 6)

Jesus estava mostrando no jejum um valor além da performance religiosa, da tentativa de se encaixar em um modelo que trouxesse uma aparência de algo piedoso, próprio da religião. Por isso disse: “Não vos mostreis contristados como os hipócritas, com o fim de parecer às pessoas que jejuam”.
O jejum não é para benefício de status religioso, nem para testemunho aparente da piedade e sim para a construção dos processos de edificação da nossa interioridade. Processos esses que sinalizam para o nosso próprio pensamento, a possibilidade de exercermos o domínio próprio, controlarmos os desejos, domarmos os impulsos e moderarmos os prazeres. O jejum é uma disciplina que fortalece nossa capacidade de decidir por aquilo que julgamos bom para nossa vida.
O que tornará você uma pessoas saudável e no caminho da boa ventura, é a forma como você vai lidar com esses impulsos.  Richard Schoch, professor da Universidade de Londres, no seu livro “A história da (in)felicidade”, diz que a felicidade caminha apoiada nos pressupostos do prazer e desejo. Ele diz que para sermos felizes teremos que modelar o prazer e controlar o desejo.
O jejum é uma disciplina espiritual que retrata com profundidade, todos os pressupostos considerados pelo mundo antigo, necessários para que alguém andasse no caminho da felicidade. Sempre o alimento, a mesa, tinha uma íntima relação com a ideia de felicidade. Quando alguém chegava para participar de uma refeição e após se servir, se retirasse imediatamente, todos julgariam que essa pessoa estaria passando por um momento de infelicidade.
Partindo desse raciocínio do mundo antigo, o jejum era uma forma de demonstrar uma consciência de que algo precisaria ser mudado na interioridade de quem buscava o jejum. Sei que todos nós temos necessidades de mudança na interioridade. Eu queria desafiar você a reconhecer essa necessidade. Queria desafiar você a vivenciar essa experiência do jejum em algum momento dessa semana.
Eu quero orar com você: “Pai, sabemos que temos lutas interiores e não podemos nos acomodar. Queremos crescer nos processos de conciliação dos nossos pensamentos e práticas. Ensina-nos acerca dessa disciplina. Para nossa paz e tua glória. Amém!

Flávio Leite

REFLEXÕES AUTORAIS SOBRE HUMANIDADE Palestrante, educador e estudioso da filosofia e do comportamento humano 👇🏽Leia a crônica da semana www.flavioleite.com

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