Devocional

Uma disciplina para o nosso bem

“Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa” (Mateus 6)

Se olharmos a fala de Jesus, veremos que ele não está criticando a prática do jejum. Está chamando atenção para a forma hipócrita como estavam fazendo; até porque Jesus sempre valorizou o jejum. A bíblia diz que ele jejuou 40 dias e sempre orientava seus discípulos acerca da necessidade de jejuar. Inclusive falou que chegaria o momento da sua ausência, em que seus discípulos sentiriam grande necessidade da pratica do jejum.
Richard Foster, teólogo americano, diz no seu livro “Celebração da Disciplina”, que considera o jejum como uma das disciplinas centrais do cristianismo, porque lida com o que há de mais básico na nossa humanidade, que são os impulsos do desejo e prazer.
Lidar com impulsos e desejos, requer prudência, disciplina e muita força de vontade. Pedro Calabrez, professor, escritor e neurocientista, foca na necessidade que temos de disciplinar nosso cérebro através de ações práticas nas nossas rotinas, para enfrentarmos as manipulações involuntárias dos impulsos indesejáveis.
É nessa perspectiva que vejo o jejum como uma disciplina indispensável, para quem quer viver uma vida livre da escravidão dos desejos desordenados. Não vejo o jejum como uma forma de lidar com o que é sobrenatural, com a finalidade de adquirir coisas através do favor divino. Vejo o jejum como uma prática que me aproxima de mim mesmo, das minhas intenções e pensamentos. Acredito que por essa razão, Jesus sempre fez uma ligação entre a prática do jejum e a oração.
Todos nós precisamos lidar bem com nossas intenções e pensamentos, porque é a partir das intenções e pensamentos que agiremos na vida. Existe uma visível luta interior entre o que queremos fazer e o que fazemos, mas só enxergaremos essa luta com clareza, se discernirmos nossas intenções e pensamentos. É exatamente aqui que entra a necessidade do jejum.
Quando o apóstolo Paulo disse: “Desventurado homem que sou. Aquilo que eu quero fazer eu não faço, aquilo que não quero isso eu faço”. Estava falando sobre isso.
Eu quero orar com você: “Pai, precisamos agir com coerência e liberdade na vida, para não nos sentirmos adoecidos na alma. Auxilia-nos a conciliarmos aquilo que queremos, com aquilo que praticamos. Para o nosso bem e tua glória. Amém!”

Flávio Leite

REFLEXÕES AUTORAIS SOBRE HUMANIDADE Palestrante, educador e estudioso da filosofia e do comportamento humano 👇🏽Leia a crônica da semana www.flavioleite.com

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