Devocional

O valor da empatia

“Perdoa as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores” (Mateus 6)

A espiritualidade cristã tem como base o amor. E uma das nossas necessidades para alcançarmos essa espiritualidade de forma saudável é a busca do autoconhecimento. Não podemos nos acomodar! Sem sabermos quem somos, jamais teremos a condição de nos relacionarmos com a vida em amor. O Padre Antônio Vieira, filósofo do século XVII, disse que Jesus era o verdadeiro amante, porque enxergava com clareza quem era. Ele baseou-se no texto do Evangelho de João, capítulo 13, quando fala: “Sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”. A narrativa diz que, porque Jesus sabia quem era, de onde tinha vindo e para onde estava indo, teve condição de amar Pedro, que o negou, Judas, que o traiu e Tomé, que duvidou.
Isto é obvio, porque bastaria ao texto dizer que Jesus amou os seus; mas, quando diz, que Jesus “amou os seus que estavam no mundo”, é porque amou pessoas, não na sua imaginação, mas, pessoas reais, de carne e osso, que tinham qualidades e defeitos. Pessoas que não estavam apenas na sua cabeça, no seu pensamento, no seu ideal, mas no mundo.
Quando não buscamos saber quem somos, qual a nossa estrutura, a nossa fragilidade humana, nos relacionamos com pessoas de uma forma injusta. Começamos a cobrar dos outros, aquilo que não somos.
Foi isso que Jesus quis ensinar quando disse: “Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. Jesus não está nos instruindo a barganharmos com Deus, mas a enxergarmos o outro com a medida da justa generosidade humana. Está nos dizendo para perdoarmos a fraqueza do outro, assim como compreendemos que também somos fracos.
O que Jesus está chamando a nossa atenção, é para a necessidade de sermos empáticos, solidários, sensíveis, nos colocarmos no lugar do outro. De querermos para o outro, aquilo que queremos para nós mesmos.
Eu queria desafiar você no dia de hoje, a pensar sobre isso. Pensar quem você é, quem são as pessoas que estão ao seu redor. Na certeza de que estamos no mesmo barco, sujeitos às mesmas condições.
Eu quero orar com você: “Pai, ajuda-nos a reconhecermos quem verdadeiramente somos, pois isso nos trará atributos fundamentais para exercermos o amor e a justiça. Ajuda-nos a sermos empáticos, sensíveis às dificuldades daqueles que estão próximos a nós. Ajuda-nos a perdoarmos, assim como percebemos que precisamos ser perdoados. Para nossa comunhão e glória do teu nome. Amém!

Flávio Leite

REFLEXÕES AUTORAIS SOBRE HUMANIDADE Palestrante, educador e estudioso da filosofia e do comportamento humano 👇🏽Leia a crônica da semana www.flavioleite.com

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