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A coragem de pensar

“Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” (Isaías 55)

Em linhas gerais, o mundo religioso não comunga com a filosofia. Se alguém me perguntasse o porquê, eu responderia mostrando a fundamental diferença entre as duas coisas. A filosofia se propõe a fazer perguntas, o mundo religioso se propõe a dar respostas; sem contar com o detalhe de que o mundo religioso não gosta de ser questionado. E quando se faz perguntas, naturalmente surgem os questionamentos. O pensamento é mexido, sai do lugar, da zona de conforto. Para construirmos uma vida significativa, precisamos pensar, perguntar, questionar. Por isso, disse o sábio Salomão no Livro de Provérbios: “São dos pensamentos que procedem as fontes da vida”. Mas pensar dá trabalho, é cansativo. Não pensar, não perguntar, não questionar, não querer saber, não conhecer, é mais fácil, menos fatigante. A bíblia diz que quanto maior o conhecimento, maior o enfado. Gosto como o teólogo Eugene Peterson traduziu esse texto na bíblia ‘A Mensagem’, que diz: “Quanto mais se sabe, maior é a responsabilidade; quanto mais se aprende, maior é o sofrimento”. Porém, não pensar nos priva das fontes da vida, nos aliena da vida. A alienação vem da preguiça de pensar. Na maioria das vezes, a impressão que tenho, é de que nós, religiosos, não queremos nos comprometer, nos responsabilizar, assumir o risco de pensar. É como se pensar fosse algo perigoso. Pior ainda, nos ambientes religiosos, a liberdade de pensar é uma espécie de transgressão. Lya Luft, escritora gaúcha, no seu livro ‘Pensar é transgredir’, diz: “Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona. Buscamos o atordoamento das distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria parar e pensar: O que a gente é, o que fazemos com a nossa vida”. Não podemos permitir que sejamos cauterizados, anestesiados no pensamento. O texto que lemos, diz: “Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto”. Essa não é uma mensagem afirmando que Deus ausentar-se-ia, afastar-se-ia, de todo aquele, de toda aquela, que não o buscasse. Se você continuar lendo o texto, verá que a mensagem é um alerta para não perdermos a capacidade de pensar quem somos, o que estamos fazendo, qual a nossa missão. O alerta é: Se você não pensa sobre sua existência, cuidado para não se tornar apático diante da vida! Chegará um dia, que mesmo buscando com lágrimas, não conseguirá mudar de pensamento. No capítulo 12 da Epístola aos Hebreus, diz que Esaú, embora buscando com lágrimas, mudar de pensamento, não encontrou lugar. O texto deixa subentendido que Esaú não achou lugar para mudar de pensamento, porque sua mente estava cauterizada. Eu quero orar com você: “Pai, tira-nos do comodismo. Ajuda-nos a fazermos perguntas acerca da nossa existência. Sabemos que buscar conhecer a existência, é te buscar. Tu és o autor da existência, autor da vida. Nos encoraja a pensarmos quem somos em ti. Para nosso bem e tua glória. Amém!

Flávio Leite

REFLEXÕES AUTORAIS SOBRE HUMANIDADE Palestrante, educador e estudioso da filosofia e do comportamento humano 👇🏽Leia a crônica da semana www.flavioleite.com

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